Prog

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cólera

Formada em 1979 pelos irmãos Edson "Redson" Lopes Pozzi (baixo e vocais) e Carlos "Pierre" Lopes Pozzi (bateria) acompanhados de Kinno (vocais), e Hélinho (guitarra), o Cólera se tornaria uma das bandas de maior longevidade no cenário punk brasileiro.
Inicialmente influenciada pelo existencialismo rústico da vila carolina as letras trazian um pouco das idéias do Condutores de Cadáver, banda da qual Hélinho participou. Hélio escrevia versos como "agitação, revolução destruição eu quero ver", algo que na fase madura da banda seria trocado por "Pela Paz em todo o Mundo".
O resgate da produção musical desse período da banda seria feito em 2006 com disco Primeiros Sintomas, do qual Hélinho também participou.
Por volta de 1981, Hélio e Kino saem da banda, e entra Valdemir "Val" Pinheiro.. que assumiu o Baixo, Redson foi para a Guitarra e vocais.
A partir daí o Cólera encontrou sua mensagem numa postura pacifista, antimilitarista e ecológica.
Em 1982, participaram da compilação Grito Suburbano, com as bandas Inocentes e Olho Seco.
Nesse mesmo ano, participam do festival O Começo do Fim do Mundo no SESC Pompéia em São Paulo, e participam das compilações internacionais em K7 Punk Is... e Hardcore or What? do selo XCentric Noise Records.
Em 1983, Redson cria o selo Estúdios Vermelhos e lança a compilação SUB, que conta com o Cólera, além das bandas Ratos de Porão, Psykóze e Fogo Cruzado. Nesse mesmo ano, participam do álbum-compilação internacional Beating the Meat do selo XCentric Noise Records.
Em 1984, lançam a demo-tape 1.9.9.2..
Em 1985, Redson muda o nome do selo para Ataque Frontal e lança o álbum de estréia do Cólera, Tente Mudar o Amanhã. No mesmo ano o show de lançamento do álbum no Lira Paulistana é gravado, e sai no formato split-LP com a banda Ratos de Porão e o selo também lança a compilação Ataque Sonoro que inclui músicas da banda.
Em 1986 lançam o álbum Pela Paz em Todo Mundo, que foi um recordista de vendas em se tratando de um produção independente: 85 mil cópias[1], e participam da compilação internacional Empty Skulls, vol. 2 do selo Fartblossom Enterprizes. Também sai pelo selo Hageland Records, o EP Dê o Fora.
Em 1987, lançam o EP É Natal!!? e tornaram-se a primeira banda de punk rock do Brasil a excursionar pela Europa, num circuito alternativo, pelo underground punk europeu, tocando em squats com bandas como a alemã Inferno e a inglesa Disorder, entre outras.
Voltam para o Brasil sem dinheiro e param de lançar seus álbuns independentes. Isso faz com que os próximos álbuns só saiam em 1989, quando foi lançado o álbum ao vivo European Tour '87 e o vídeo 20 Minutos de Cólera, ambos com gravações dos shows da turnê européia, lançados pela A. Indie Records. Tambem é lançado esse ano, o álbum de estúdio Verde, Não Devaste! pela Devil Discos. Durante esse intervalo entre os álbuns fazem diversos shows com a banda brasiliense Plebe Rude.
Em 1992 é lançado o álbum Mundo Mecânico, Mundo Eletrônicopela Devil Discos, que conta com a regravação da música "1.9.9.2." do primeiro álbum.
Somente em 1998 foi lançado um novo álbum, Caos Mental Geral.

Em 2000, a banda ficaria em evidência com a regravação da música "Medo" pelo Plebe Rude em seu álbum ao vivo Enquanto a Trégua não Vem, e pela regravação da música "Quanto Vale a Liberdade?" pelos Inocentes em seu álbum O Barulho dos Inocentes.
Em 2002, é lançado o álbum 20 Anos ao Vivo, e em 2004 o álbum de estúdio Deixe a Terra em Paz!.
Em 2006, é lançado o álbum Primeiros Sintomas com gravações de 1979 e 1980. Nesse ano, o baixista Fábio sai da banda, sendo subtituido pelo antigo baixista, Val.
Em 2008 fizeram outra turnê européia, comemorando os 29 anos de banda.
Atualmente estão fazendo a turnê 30 Anos Sem Parar! pelo Brasil, comemorando os 30 anos de banda.

Links:

1984-Tente Mudar o Amanhã
1986-Pela Paz em Todo Mundo
1986-Dê o Fora
1987-É Natal!!?
1989-Verde, Não Devaste!
1991-Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico
1998-Caos Mental Geral
2002-20 Anos ao Vivo
2004-Deixe a Terra em Paz!
2006-Primeiros Sintomas

Olho Seco

A banda foi formada em 1980 quando Fábio no vocal, Val no baixo, Redson na guitarra e Sartana na bateria se juntam para tocar.
Em 1982 do Grito Suburbano, primeira coletânea de bandas punks brasileira e do participam do festival O Começo do Fim do Mundo, ambos marcos do início do movimento punk no Brasil.
Em 1983 lançam o 7" EP Botas, Fuzis e Capacetes, que foi muito bem recebido e rendeu à banda o convite para participar de diversas coletâneas internacionais como Welcome to 1984, promovida pelo fanzine punk Maximum Rock´n´Roll.
Em 1985, seu 7" EP de estréia é reeditado em LP como um split com a banda Brigada do Ódio. Em 1987, lançam o álbum Os Primeiros Dias.., somente com gravações originais de demo-tapes de 1981 e 1982. Mais tarde esse álbum é reeditado em CD, incluindo faixas de demo-tapes gravadas em 1982 e 1983.
Em 1988, lançam o 7" EP Fome Nuclear com o estilo musical mais voltado para o thrashcore extremamente veloz, que se vai ao extremo no seu primeiro álbum Olho por Olho, pela Cogumelo Discos. Algum tempo depois a banda se desfaz.

Em 1992 o primeiro 7" EP é novamente relançado como um split-LP, dessa vez com a banda Fogo Cruzado. Em 1995, a banda Ratos de Porão grava uma versão da música "Olho de Gato" no álbum Feijoada Acidente?.
No início de 1998 o Olho Seco volta à tocar, somente com Fábio da formação antiga, além de Jeferson no baixo, Marcos na guitarra e André na bateria e gravam o álbum Haverá Futuro?, além de se apresentar por diversas cidades no brasileiras. Em 1999, fizeram pela primeira vez uma turnê européia, com 25 shows em 9 países, num total de 37 dias. O Olho Seco iniciou sua turnê em Amsterdam na Holanda, seguindo para Alemanha, Suécia, Dinamarca, Áustria, Eslovénia, Itália e Espanha, finalizando em Portugal.
Após seu retorno ao Brasil, o Olho Seco fez uma participação especial no show de lançamento do álbum-tributo a eles, intitulado Tributo ao Olho Seco, onde as mais expressivas bandas hardcore punk brasileiras, além de Força Macabra da Finlândia e Cripple Bastards da Itália fizeram versões de suas músicas.
Em 2000, o Olho Seco volta ao estúdio (pela primeira vez, ainda com a formação original) para gravar uma participação no álbum-tributo à banda finlandesa Rattus, editado pelo selo finlandês Fight Records. No mesmo ano, gravam um split-CD com a banda finlandesa Terveet Kädet, com gravações ao vivo em Torino na Itália, no Blackout Festival.

Links:

1983 - Botas, Fuzis e Capacetes  
1985 - split c/Brigada do Ódio
1987 - Os Primeiros Dias..
1988 - Fome Nuclear
1998 - Haverá Futuro?

Um Pouco da História do Punk no Brasil

O punk rock brasileiro surgiu como crítica à censura e à repressão do regime militar, no final da década de 70.

 História

O punk rock brasileiro nasceu como uma crítica ao regime militar brasileiro, implantado pelo golpe de 64, devido, principalmente à censura e à violenta repressão aplicadas pelo governo. Muitas canções da primeira geração do punk rock brasileiro são considerados, até atualmente, hinos de crítica ao governo.
As origens do punk no Brasil surgiram das idéias de muitos jovens que viviam no final da década de 70, o precursor foi o guitarrista Douglas Viscaino que teve as idéias pioneiras e junto com Clemente Tadeu construíram uma banda inspirada em bandas como MC5, The Stooges e Sex Pistols: A Restos de Nada. Assim, a banda surgida em meados de 1978 foi adquirindo sua forma punk. A partir daí, muitos outros grupos foram se formando, criando bandas no mesmo modelo e então formaram o movimento punk. As bandas faziam músicas em formato de discurso, que faziam críticas ao governo e a sociedade. Apesar da Restos de Nada ter sido a precursora do punk brasileiro, só foi gravar seu primeiro álbum em 1987.
O primeiro álbum de punk rock brasileiro foi o Grito Suburbano, compilação DIY com Inocentes, Olho Seco e Cólera . Em 1982 o primeiro grande evento, O Começo do Fim do Mundo, surgiu como o marco inicial do punk rock brasileiro, com 20 bandas da cidade de São Paulo e do ABC paulista. A apresentação terminou em um confronto com a polícia.

Houve também o surgimento de importantes bandas de punk rock em Brasília, como o Aborto Elétrico.
No final da década de 80 e início da década de 90, o punk rock brasileiro teve algumas baixas com bandas se separando, mudando de estilo, casas de shows sendo fechadas e estagnação criativa.
Nos anos 90 o punk rock voltou com tudo a cena no Brasil, muito graças à divulgação do estilo pela internet e pelo então interesse de algumas gravadoras e da mídia por novas bandas de rock.

Começaria então a era do hardcore melódico no Brasil, com nomes como Dead Fish e Garage Fuzz encabeçando a lista das dezenas de bandas que apareceram deste estilo que sugiram nos anos 90. Vendo a chance de voltar à ativa, muitas bandas da primeira geração voltaram com tudo à cena. Não que essas bandas tenham parado, mas estavam meio que "de férias forçadas", afundadas no ostracismo. Foram os casos de nomes importantes como Inocentes, Cólera e Garotos Podres, que a partir do final dos anos 90 retomaram de vez suas atividades e tiveram um novo recomeço.
A partir da segunda metade da década de 90, novas bandas de punk rock surgiram, resgatando o estilo original da década de 70, com pegadas street punk e com uma cara nova para o punk brasileiro. Dentre essas bandas destacam-se nomes como Lambrusco Kids, Excluídos e Flicts, todas formadas de 1995 para frente.

A partir do ano 2000, com novas casas de shows "underground" abrindo em todas as cidades brasileiras e com a firmação da Internet como veículo principal de divulgação das bandas, ocorreu uma verdadeira explosão na cena e os nomes de bandas se multiplicaram às centenas.

E tambm começa a partir de 2000 a era dos shows internacionais de bandas punks no Brasil, com destaque para o selo e produtora independente Ataque Frontal, que foi a grande responsável pela inserção da cena punk no Brasil no mapa do punk rock mundial, trazendo bandas consagradas para os palcos brasileiros, dentre elas: Stiff Little Fingers, UK Subs, Exploited, Lurkers, The Vibrators, GBH, Toy Dolls, Dead Kennedys, Agnostic Front, 999, Rezillos, entre muitas outras.

Atualidade

Mais recentemente, em 2007, a cena punk passa a sofrer novos ataques da mídia por crimes contraditórios cometidos por jovens que se assumiram como punks apesar de assassinarem um trabalhador que vendia pizzas em São Paulo por que o mesmo se negou a dar um desconto de 40 centavos no preço de um pedaço de pizza, entre outros casos menos comentados. Apesar de se assumirem como punks, as atitudes desses jovens batem de frente com muitos ideais punks como o anti-consumismo e a defesa à classe trabalhadora (que formava a maior parte do movimento nos anos 80).

A mídia sempre teve tendência para perseguir punks. Os mesmos dizem que isso é devido ao fato dos punks em geral se posicionarem contra a mídia.

Uma matéria públicada no programa Fantástico, que denegriu o movimento punk de forma contundente, é lembrada negativamente por fãs do punk rock no Brasil, acusando-a de tornar muitos seguidores do movimento desempregados.

Restos de Nada

Para você entender a importância do Restos de Nada, saiba que a história da banda e de seus integrantes se confunde com a história do nascimento do punk no Brasil em 1978 e com a explosão desta manifestação cultural em 1982.
Com o arrocho salarial e o "milagre econômico" entre 1969-73 houve um ingresso cavalar de jovens no mercado de trabalho, neste período 70% dos trabalhadores entre 14 e 24 anos estavam empregados no perímetro urbano. No final da década de 70 a coisa já era diferente. O Brasil estava em situação economicamente delicada, a inflação ultrapassara os 100%, mais de um milhão de desempregados só na cidade de São Paulo. O perfil do jovem urbano brasileiro mudou de uma hora para outra. Eram jovens que perderam o acesso à diversão e ao consumo. Garotos raivosos que buscavam informação e sentiam-se excluídos, marginalizados. Em outras palavras, eram punks.
Um desses garotos se chamava Clemente Tadeu Nascimento. Em 76 Clemente tinha 13 anos e morava na Vila Carolina, zona norte de S.P. Sua preocupação era beber, conversar nas esquinas, organizar festas e tentar montar uma gangue de verdade. Clemente, ao lado do amigo Douglas - cujo cunhado comprava discos importados em Santos em contrabandos que traziam pelo oceano Atlântico as novidades da Europa - eram fãs de MC5, New York Dolls e Stooges e eram os responsáveis por levar à garotada, as boas novas daquele som tosco, sujo e agressivo. Porém o principal aglutinador da gangue da Vila Carolina não era a música nem a ideologia punk. Eram apenas amigos de bairro entre 13 e 17 anos que brigavam à menor cara feia de alguma gangue rival, bebiam e fumavam juntos. A música protopunk era apena a trilha sonora e o filme predileto se chamava Laranja Mecânica.

O povo da Vila Carolina só foi descobrir que existia um movimento punk em 1977, lendo reportagens nas revistas Pop e Manchete, sobre as "algazarras dos Sex Pistols" ou em clichês infelizes como "Como furar seu nariz", "Aprenda a rasgar a roupa", "Como ser punk" sob o título: "A moda barra-pesada invade Londres". Clemente, Douglas e companhia não se empolgaram com a moda inglesa e achavam que aquilo era "coisa de veado". Em agosto a própria redação da revista Pop organizou com a Philips o lançamento do disco "A revista Pop apresenta o punk rock". E que disco !!! A coletânea trazia Sex Pistols (com God Save the Queen e Pretty Vacant), Ramones (com Loudmouth e Now I Wanna Sniff Some Glue), The Jam (In The City e Slow Down), Eddie & The Hotrods (Writing On The Wall e I Might Be Lying), mais London, Ultravox, Stinky Toys e Runaways, com uma faixa cada. Ironicamente, uma revista que falava aos adolescentes setentistas classe-média, surfistas e playboys, acabou servindo como uma referência para o povo da periferia.
"A gente tinha gostado bastante das músicas do disco da revista Pop, mas achava que esse negócio de punk era uma modinha qualquer. Eu estava na casa do primeiro baterista dos Inocentes e o irmão dele mais velho perguntou se a gente não ouvia punk rock, porque a gente era meio revoltado, daí ele colocou o primeiro disco do Generation X e traduziu a letra de Your Generation para mim e percebi que aquilo tratava das mesmas coisas que acreditava e começamos a se inteirar sobre o punk". Clemente.

Em 1978 as várias gangues da Vila Carolina foram se fundindo numa só, a Carolina Punk. Clemente comprou o seu primeiro disco punk, "Young, Loud & Snotty" dos Dead Boys na loja Wop Bop nas Grandes Galerias, comprou um baixo e com o velho parceiro Douglas, montou seu próprio grupo e o batizou de Restos de Nada, a primeira banda punk de São Paulo.
A maior diversão passou a ser ensaiar e tocar ao vivo, mas todos trabalhavam para sustentar o grupo (Clemente e Douglas eram office-boys, o vocalista Ariel era mecânico e o baterista Charles lecionava música). Na Wop Bop faziam amizades com outros simpatizantes do punk como o balconista Walson (popular Sid, que quase simultaneamente criara seu grupo, o AI-5) e Antônio Carlos Sinefonte, um funcionário da editora Continental. Sinefonte era mais velho que a maioria dos punks, conheceu o gênero na loja com o compacto God Save The Queen dos Sex Pistols. "Mas não me soou como uma ruptura, eu absorvi naturalmente. Conhecia T-Rex, New York Dolls, Patty Smith desde o começo dos anos 70. Já imaginava que alguma merda iria acontecer", conta referindo-se à revolução punk. Sinefonte tocou guitarra por apenas dois meses no AI-5 de Walson. A banda era totalmente punk, desde o visual até o som tosco e irônico, como na música John Travolta (Eu não agüento mais ouvir falar em John Travolta nem Olivia Newton John/ Eu não suporto mais ouvir falar nem dos Bee Gees nem na roqueira Rita Lee"). Eram moleques falando para moleques, pregando a ruptura que os artista profissionais não tinham coragem de pregar.
No início de 79, Sinefonte e seus colegas punks começaram a produzir os primeiros shows do Restos de Nada e do AI-5, na periferia da zona leste e da zona norte. Assim, desde o início o punk ficou associado ao movimento das gangues de subúrbio, afinal, a imagem de violência propagandeada pela mídia pareceu uma evolução lógica para aquele universo gregário e machista.

Ao longo de 1979, com a abertura política e a iminência do pluripartidarismo, Ariel e Douglas se filiaram à Convergência Socialista e colocaram as novas composições do Restos de Nada a serviço da militância comunista. Clemente ía nas reuniões, fumava um baseado, bebia e achava tudo muito chato. O que ele queria era agitação, sair nas ruas, brigar. Clemente resolveu entrar para outra banda, a NAI (Nós Acorrentados do Inferno), liderada pelo guitarrista Calegari e com o popular Indião nos vocais; e já chegou sugerindo a mudança de nome para Condutores de Cadáver. Enquanto que os Restos de Nada estava preocupado com a revolução, o Condutores de Cadáver agitava o movimento organizando shows e festas. Em dezembro de 79, o ex-baixista da NAI, Helinho reapareceu junto de dois amigos, irmãos. Os visitantes diziam ter formado uma nova banda, ensaiando em um par de violões e um sofá que fazia as vezes de bateria. Helinho pediu para abrir o show que os Condutores fariam na semana seguinte num colégio no bairro do Limão. Pediu ainda para que o trio pudesse ensaiar, ao menos uma vez, com instrumentos de verdade. Assim foi a primeira experiência desta nova banda chamada Cólera, com a energia elétrica, tenda na formação Helinho (guitarra), e os irmãos Pierre (bateria) e Redson (baixo e vocal). Redson vinha do Capão Redondo, vizinhança barra-pesada da zona sul e era completamente diferente do perfil punk reinante. Tinha aversão a brigas de gangues e à violência de todo tipo, devorava livros sobre Yoga e era fã de Lobsang Rampa e de Ignácio de Loyola Brandão. Redson, ao formar o Cólera fez questão de peitar a violência que imperava - "Éramos vistos como arrogantes, folgados, porque chegávamos aos shows sem gangue, só nos três, de mochila nas costas, carregando nossos instrumentos. Não entendiam que íamos para tocar e não para brigar".
Naquela altura, Sinefonte conseguiu fazer um teste para a rádio Excelsior FM, e foi aprovado. Resolveu bolar um pseudônimo para apresentar um programa semanal (às segundas, das 22 à meia noite), especializado em punk e new wave. Simplesmente roubou o nome do DJ dos Blockheads: Cosmo Vinyl. Conseguiram convencê-lo a adaptar o prenome "KID" (também inspirado em outro DJ inglês, Kid Jansen), e aí, em novembro de 1979, entrou no ar uma das personagens mais folclóricas da cena paulista: Kid Vinil. Kid montara a sua própria banda, a Verminose, um punk-a-billy bem humorado.
Os shows passaram a ser divulgados no programa do Kid Vinil e mais bandas foram surgindo, como Juízo Final, Lixomania, Fogo Cruzado, M-19, Psykóze. Douglas e Ariel (ex Restos de Nada e futuro Invasores de Cérebro) montaram o grupo Desequilíbrio. Redson começou a organizar coletâneas em fitas cassete com ensaios dos grupos. Surgiu o primeiro zine, o Factor Zero, editado pelo Strombus do Anarkólatras, que abriu caminho para outros como o SP Punk, de Calegari e o Vix Punk de Redson.

No carnaval de 1980, a rapaziada lançou o apelo; "Torne este carnaval sem efeito ouvindo punk rock". Alugaram um salão e organizaram o mini festival com as bandas Cólera, Condutores de Cadáver, uma banda de heavy metal chamada Vermes e outra de rock honesto, a Cetro. Foi lá que João Francisco Benedam assistiu seu primeiro show punk, anos depois se tornaria vocalista de um grupo que ainda nem surgira, os Ratos de Porão. Várias gangues se encontraram e nenhuma briga foi detonada, a música e a movimentação vinda do subúrbio não poderia ser prejudicada por infantilidades.
A Wop Bop mudou de endereço e virou o templo do tecnopop, do new romantic e do pós-punk. Uma loja de discos segmentada foi inaugurada na galeria: a Punk Rock Discos, ponto que passou a aglutinar os punks da cidade. Mais tarde o dono desta loja, Fábio Sampaio, formou seu próprio grupo, o Olho Seco, com integrantes do Cólera. Além de apresentar o punk europeu e americano para os brasileiros, Fábio começou a se corresponder com integrantes destas bandas e fez contatos valiosos promovendo um intercâmbio violento.
Além de espetáculos em casas da zona norte como o Construção na Vila Mazei, os punks se encontravam na praça da estação São Bento do metrô, onde a prefeitura organizava shows gratuitos e a molecada passava horas conversando e cheirando cola. No começo de 81, um show apenas com bandas punks no teatro da PUC reuniu 600 pessoas !! Foi o último show do Condutores de Cadáver. Clemente insatisfeito com os rumos hardcore aproveitou para sair. Levando Calegari, montou os Inocentes cuja formação era: Clemente no baixo, Mauricinho no vocal, Marcelino na bateria e Calegari na guitarra.

Com o fim do Condutores, Indião se engraçou com uma cobiçadíssima punk de Santo André, e passou a fazer "tráfico" de fitas cassete com bandas até então inauditas na região. Aproveitou e montou um grupo intermunicipal, o Hino Mortal, que logo se estabeleceu como um dos maiores do punk paulista. O surgimento do punk coincidiu com o auge dos movimentos sindicalistas, concentrados na região do ABC, o que deu forte conotação social ao movimento: os punks do ABC se julgavam "engajados" e tratavam os da capital por boys. Os punks de São Paulo julgavam os vizinhos uns trogloditas e desinformados. Quando Clemente começou a namorar uma garota de São Bernardo a coisa piorou. Como eram quase todos metalúrgicos, os punks do ABC adotaram na indumentária as botas com biqueiras de aço que usavam nas fábricas, o que os colocavam em temível vantagem nas brigas. No ABC o movimento punk também surgira de gangues. A primeira banda foi a Passeatas, nascida no início de 1980 no meio da gangue Os Anjos, com fama de violentíssima. Logo após surgiram outros grupos como Garotos Podres e Ulster.
Os punks da capital tiveram a idéia de montar um festival itinerante, levando o movimento para todos os bairros da periferia. Batizaram o evento de Grito Suburbano. O primeiro Grito ocorreu em agosto de 81 com Anarkólatras, Lixomania, Olho Seco, Cólera e Mack (estes últimos cantavam em inglês, eram vistos com desdém e desconfiança pela rapaziada). Logo em seguida, conseguiram um horário fixo, semanal, no Teatro Luso-Brasileiro, durante as tardes de domingo. Mas a violência ainda predominava. No segundo semestre de 81, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma série de reportagens chamada "Geração abandonada".

Indignado e avacalhando com o jornalismo-inverdade, Clemente enviou uma carta à redação do jornal lembrando todo o lado cultural da coisa. Graças à polêmica, alguns videomakers da produtora Olhar Eletrônico procuraram os frequentadores da loja Punk Rock para produzir um documentário. O filme estreou no MASP e foi premiado em vários festivais no mundo todo. Este documentário chamado de Garotos do Subúrbio, foi o primeiro filme de Fernando Meirelles, diretor do cultuado e atual Cidade de Deus.
"Garotos do Subúrbio foi a minha primeira produção! Estava ainda na faculdade de arquitetura da USP quando, em 1982, decidi fazer um documentário sobre o movimento punk que nascia em São Paulo. Eu havia cruzado com aqueles garotos numa galeria do centro. Todo documentário deve responder a uma pergunta e a minha era: o que fazem garotos do subúrbio de S.P. se identificar com um movimento inglês? Casacos de couro preto no sol do Anhangabaú? Cara de mau num país tão relaxado? O filme começa mostrando toda a ira do movimento punk, mas aos poucos vai revelando que, embaixo da casca, há apenas um grupo de amigos buscando uma forma de identidade para afirmar sua existência. Há algo em comum entre Garotos e Cidade de Deus. Nos dois é revelado o ser humano que há por trás da fachada de um traficante ou de um punk de verdade".

A rebelião punk de São Paulo não foi uma cópia do punk de fora, mas uma identificação adaptada à realidade local. Nesses primeiros anos, quando o punk foi alardeado por uma série de reportagens sensacionalistas, o ibope foi às alturas e o movimento fisgou mais adeptos entre a garotada. Mas a distorção das notícias sobre a onda inicial causou uma confusão que fez crer que todo mundo era marginal. Mesmo que você não fosse o delinquente juvenil alardeado pela mídia, mas identificado com o lado mais racional do punk, tinha que tomar uma atitude de agressão para se afirmar. Tinha que vestir o uniforme.
A verdade era que os punks mais radicais e ignorantes não admitiam colaborar com a grande imprensa. Quando Kid Vinil deu uma entrevista à revista Veja, dezenas de revoltados fundamentalistas arrasaram um show do Verminose. Kid encerrou seu antigo programa. Sua banda Verminose foi rebatizada de Magazine, para afugentar as sombras da punkadaria.
Mas o movimento não tinha como parar de crescer. No final de 81, Fábio Sampaio resolveu produzir um disco pelo selo de sua loja. Alugou um estúdio de oito canais de música sertaneja, o Gravodisc, e enfiou Cólera, Inocentes, M-19, Anarkólatras e Olho Seco para gravar. Tudo foi registrado ao vivo, em dois períodos de seis horas. As dificuldades eram muitas, ninguém tinha experiência em gravar rock na época. Não haviam produtores e os técnicos não tinham idéia de como chegar ao som pretendido pelas bandas, aliás, nem elas. A primeira gravação ficou tão ruim que todos tiveram que retornar ao esúdio, no início de 82, para refazer tudo. Anarkólatras e M-19 tiveram problemas quando foram regravar e ficaram de fora do disco. Grito Suburbano saiu alguns meses depois, no início de 82, com tiragem de mil cópias. Com 6 músicas de cada, Olho Seco, Inocentes e Cólera foram as primeiras bandas a registrar seu trabalho em vinil. É claro, que se comparado aos dias de hoje, o Grito Suburbano não passaria de uma demo tape mal gravada, mas o Grito é muito mais do que apenas um disco, é o primeiro registro sonoro de uma época que continua pairando no ar até hoje. Com menos repercussão, em setembro é lançado o segundo vinil punk: um compacto com 6 músicas do Lixomania.

Enquanto a Olhar Eletrônico produzia seu documentário, outro leitor da carta de Clemente ao Estadão desenvolvia seu trabalho com os punks. Era o teatrólogo Antônio Bivar, que estava escrevendo um volume da coleção Primeiros Passos, da Editora Brasiliense, intitulado O que é punk. Bivar voltara de Londres, onde presenciou o nascimento da segunda geração do punk rock, liderada por bandas como Exploited, Discharge, G.B.H. e Varukers. Essa turma de discurso político afiado e som ainda mais cru e pesado que o dos Sex Pistols, guardava laços diretos com a rapaziada da periferia paulista. Bivar se apaixonou pela movimentação dos garotos do subúrbio e abriu muitas portas para a molecada ainda inexperiente. Bivar começou fazer o punk aparecer. A edição de agosto de 82 da revista Gallery Around, na qual Bivar era editor, publicou mais um texto de Clemente, um dos mais importantes, românticos e ingênuos textos da história da música pop nacional.
"...nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, para dizer a verdade sem disfarces: para pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer".
Após implantada a metodologia de divulgação de Bivar, o que era movimentação local foi descoberto por todo o Brasil. Os shows se multiplicavam, até no interior paulista. Inocentes, Estado de Coma e Suburbanos tocaram em Campinas. O negócio deu certo. Logo depois, novo show, dessa vez com Inocentes (com novo vocalista, o velho colega Ariel ex-Restos de Nada), Fogo Cruzado e Ratos de Porão. Ainda engatinhando nesta época, os Ratos de Porão se tornariam uma das mais tradicionais formações do punk brasileiro. Formaram o grupo no final de 81 na Vila Piauí. Com Jão (guitarra), Betinho (bateria), Chiquinho (voz) e Jabá (baixo). No início de 82 gravaram sua primeira demo. Temas rápidos e rasteiros, influenciados pelo hardcore americano, como Brasil Comunista e Novo Vietnã. Chiquinho deixa o grupo e Jão acumula a função de guitarrista e vocalista. A formação só se estabilizaria um ano depois, quando um fã, João Francisco Benedam, assumiu os vocais e adotou a alcunha de João Gordo.

Bivar e Calegari convenceram todo mundo a organizar um grande festival punk multimídia, com 10 bandas da capital e 10 do ABC. Exposições de fotografias, mostra de fanzines, exibição de documentários. A Punk Rock manteria um estante para vendas de discos e Bivar faria o lançamento do livro O que é Punk. As datas foram agendadas no Sesc Pompéia, zona oeste, para 27 e 28 de novembro. Um evento gratuito, com o Sesc financiando o equipamento de som e a gravação em fita cassete dos shows. O festival foi apelidado carinhosamente de O Começo do Fim do Mundo. Surpreendentemente, mais de 3 mil garotos do subúrbio deram as caras no Sesc Pompéia, com suas jaquetas de couro fajuto, coturnos e cabelos espetados com sabão. Punks de toda a grande São Paulo e interior. Todas as bandas convidadas toparam em tocar de graça. O pagamento seria uma faixa no LP ao vivo, o mais tosco possível, gravado em dois canais. Ótimo. Quinze minutos de fama para cada uma: Dose Brutal, M-19, Neuróticos, Inocentes, Psykóze, Fogo Cruzado, Juízo Final, Desertores, Ulster e Cólera no sábado. Suburbanos, Passeatas, Olho Seco, Decadência Social, Extermínio, Ratos de Porão, Hino Mortal, Estado de Coma, Lixomania e Negligentes no domingo. No primeiro dia tudo ocorreu sem problemas. No domingo, vieram duas gangues super-rivais, a Carecas do Subúrbio e a Punk da Morte, que deixou o clima relativamente tenso. Esboçaram uma briga, logo apartada. Um carro da Tv Globo tentou entrar com equipamento para noticiar o festival e quase foi tombado. A multidão de visual ameaçador e a vizinhança assustada. Duas viaturas da polícia foram averiguar o evento. Os punks entraram no Sesc e fecharam os portões. Lá de dentro, provocavam os policiais, até que no meio do show do Ratos, a tropa de choque da PM invadiu o local com seus cassetetes e escudos e o caos se instalou. Correria, confusão, brigas simultâneas e borrachada nos adolescentes. 25 jovens foram presos e a festa acabou alí mesmo.
Era o fim do primeiro festival punk de São Paulo e do movimento punk organizado. Logo depois, as brigas entre gangues se intensificaram, e as primeiras mortes foram registradas; muitas bandas, desanimadas, encerraram atividades sem nenhum registro fonográfico decente. Os shows foram rareando e as oportunidades sumindo. A polícia apertando o cerco e prendendo todo moicano que cruzasse seu caminho - a PM chegou a colocar uma guarita na estação São Bento do metrô. Os lojistas das Grandes Galerias organizaram um abaixo-assinado para pedir o fechamento da Punk Rock, que reabriu tempos depois na rua Augusta. Duas coletâneas representativas ainda foram lançadas: a SUB (produzida por Redson no início de 82, com Ratos, Cólera, Psykóze e Fogo Cruzado, mas só lançada um ano depois) e o registro ao vivo do festival, no disco O começo do fim do mundo. Contudo, nada mais seria como antes.
"Fiquei puto, desiludido. Vim de uma gangue, era questão de sobrevivência na periferia. Mas o lado artístico do punk era mais importante para mim. A gente curtia moda punk, fotografia, filmes, dadaísmo, poesia beat, tudo o que tivesse a ver com essa estética. Eu queria dar continuidade a isso, por causa das pessoas que faziam parte do movimento que, pela primeira vez, tinham uma identidade, uma voz. Era muito importante que o movimento crescesse e pudesse dar oportunidade para aquele jovem oprimido se expressar. Mas isso se tornava difícil quando os próprios punks estavam mais preocupados em brigar do que em batalhar pelo movimento". desabafava Clemente.
Lógico que o próprio modo como que o punk foi divulgado atrapalhou a compreensão exata de sua dimensão. Porém o mais importante para eles, foi fazer parte dessa geração que buscava um jeito de extravasar o que nem a repressão podia calar. Se não fosse o punk, seria outra coisa porque eles precisavam botar tudo aquilo para fora.

Além de São Paulo, algumas capitais esboçaram timidamente seus movimentos locais. Salvador com o Camisa de Vênus. Rio de Janeiro com os skatistas do Coquetel Molotov. Porto Alegre com os Replicantes. Curitiba com o Carne Podre e a Contrabanda (que mais adiante, daria origem ao Beijo AA Força). Brasília merece um capítulo a parte por causa de suas principais personagens, com destaque para as bandas Blitx 64, Plebe Rude e Aborto Elétrico (que deu origem a grupos como Legião Urbana e Capital Inicial). Mas comparado ao paulista - numeroso, influente, polêmico e violento - o mitológico movimento punk de Brasília parece um dia no parque de diversões: você entra para sentir emoções fortes, mas sabe que nada de perigoso pode lhe acontecer.
Em Brasília, o punk era questão de afirmação juvenil. No Rio, era rixa entre skatistas, em São Paulo era questão de sobrevivência. Em todos os lugares, de qualquer forma, era sempre uma prova da reação jovem às fórmulas caducas do pop brasileiro. Todos tinham aprendido a lição mais importante: não dependa de ninguém, não espere as bençãos de padrinhos. Fale a linguagem das ruas, das coisas que o cercam. Subverta o estabelecido, seja original. Faça você mesmo.

No início de 1983, o Fantástico, após meses de tentativas frustradas, conseguiu fazer a sua tão almejada matéria sobre o movimento punk de São Paulo. Pagaram cerveja a um grupo de moleques na estação São Bento, entrevistaram psicólogos que desdenhavam da rebeldia adolescente e transeuntes horrorizados com o visual dos jovens. Em quinze minutos, destruíram um trabalho de anos. No dia seguinte a maior parte dos punks se viu demitida de seus empregos. Foi a pá de cal sobre um movimento agonizante. Redson ainda montou sua própria gravadora, a Ataque Frontal, organizou a coletânea SUB e lançou o primeiro disco do Cólera em 85. Sempre fiéis às origens incluíram a Declaração Universal dos Direitos Humanos no encarte do LP Pela Paz em 86. Fábio Sampaio abriu uma nova loja e um novo selo, a New Face Records, que lançou vários discos de importantes bandas européias e o primeiro disco individual de uma banda punk latino-americana, o antológico Crucificados pelo Sistema do Ratos de Porão de 1983. Fugindo da estigma punk, os Ratos de Porão se aproximaram do trash e do metal, enquanto que a maioria dos egressos do punk de 82 se adaptavam aos novos tempos através do pós-punk inglês. O Lixomania se metamorfoseou no 365, Calegari formou o Disciplina. Muitas outras bandas boas simplesmente acabaram. Poucas íam surgindo e se destacando nacionalmente. As bandas mais populares no meio dos anos 80 eram os Garotos Podres e os Inocentes.
Os Inocentes da primeira (ou segunda??) fase ainda reuniram material para um Lp em 1983. De 13 canções, nove foram censuradas, e somente 4 viram a luz do dia, num EP raríssimo intitulado "Miséria e Fome", o qual anos mais tarde foi lançado na sua versão original em um LP com as 13 faixas. Em idas e vindas, Clemente (agora guitarrista) juntamente com Ronaldo e Tonhão (ambos ex-Neuróticos), reformulou os Inocentes incorporando elementos do pós-punk. Quando estavam quase desistindo de viver de música, Branco Mello dos Titãs (com crédito suficiente devido ao estouro de Cabeça Dinossauro) levou os Inocentes para a WEA, que lançou o mini-lp Pânico em S.P. em junho de 86.
Assim como boa parte das primeiras bandas punks brasileiras, o Restos de Nada acabou sem fazer um registro fonográfico decente. Até que em 1987 voltaram com a formação original apenas para gravar um LP com 12 músicas que foram compostas entre 1978/1980. Músicas desconhecidas de boa parte dos amantes do punk nacional. Preciosidades como Desequilíbrio, Somos todos escravos de um balde de lixo e Restos de nada.
Notas do autor: Este texto foi escrito baseado em várias entrevistas do Clemente, em vários recortes de jornais e revistas, no livro O que é Punk e principalmente no livro Dias de Luta. Muitas frases deste texto foram simplesmente copiadas do capítulo intitulado PUNK deste belo livro de Ricardo Alexandre.
A trilha sonora para a confecção deste texto foi: Restos de Nada, Grito Suburbano e Feijoada Acidente ? Brasil (disco obrigatório dos Ratos de Porão com versões para músicas de bandas como AI5, Hino Mortal, Inocentes, Restos de Nada, Garotos Podres, Psykóze, Anarkólatras, Olho Seco, Fogo Cruzado, etc etc etc...).
"Se tudo está errado por aí, e nós estamos convencidos disso, uma postura punk para nos salvar do abismo tem razão de ser. A receita é ingênua mas faz sentido. Os garotos dizem as coisas com franqueza selvagem. A arte deles explica-se pelas circunstâncias". Carlos Drummond de Andrade - Jornal do Brasil 1982.




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Krisiun

Krisiun é uma banda brasileira de Brutal Death Metal formada em 1990 na cidade de Ijuí, no Rio Grande do Sul. É um dos percusores do Brutal Death Metal mundial, sendo um das bandas do Brasil de maior reconhecimento internacional, sempre evoluindo sonoramente em seus álbuns, sem nunca perder seu peso e brutalidade.
A construção da banda começou em 1990 quando o trio de irmãos morava em Ijuí, no Rio Grande do Sul. O gosto pelo metal foi herdado do irmão mais velho, que já ouvia bandas como Black Sabbath e Dio. De tanto vê-lo com seus discos os três gostaram do som e dos desenhos nas capas. Como todo fã de heavy metal, a adolescência deles foi marcada pela compra de discos dos grupos preferidos. E, para aumentar a coleção, era preciso investir boa parte do salário que ganhavam nos primeiros empregos. Alex Camargo só esperava receber para ir direto a Megaforce, uma das primeiras lojas especializadas em Porto Alegre.
Os dois discos que transformariam de vez a vida da família Krisiun, mostrando uma face nova e fascinante do velho e bom metal. A agressividade dos vocais e os instrumentos tocados com tanta energia e velocidade provocaram uma reação imediata. Era chegada a hora de unir-se aos ídolos de alguma forma. Sem dinheiro para adquirir equipamentos de qualidade, foi preciso se contentar com instrumentos mais simples e muito limitados. O movimento metal já vivia uma fase de empolgação no Brasil e fanzines circulavam de um estado para outro, ampliando o underground. O Krisiun logo entrou neste mundo, correspondendo-se com bandas e fanzines de todo o país. A idéia era ganhar espaço no cenário e mostrar os conceitos da banda mundo afora: tocar o verdadeiro metal. Logo o estilo foi sendo moldado, com a velocidade e o peso do que foi rotulado como death metal. Ainda aprendendo praticamente tudo "na raça", o Krisiun fez seu primeiro registro oficial em 1991, a demo tape "Evil Age" (1991). No ano seguinte foi gravada uma segunda fita, "Course of the Evil One" (1992), e, a partir daí, as respostas do underground não pararam mais de chegar.

O sucesso
Cientes de que as portas para um trabalho realmente profissional só se abririam em São Paulo, os irmãos decidiram mudar de estado e viver longe da família. Já na capital paulista, os músicos precisaram redobrar o esforço para conseguir gravar o autofinanciado mini-álbum "Unmerciful Order" (1993). A partir deste trabalho, o Krisiun rapidamente ganhou status de grupo cult por causa da hipervelocidade das composições e pela impressionante performance ao vivo. No ano de 1995 saiu o primeiro full lenght, "Black Force Domain", que só chegou a um maior público por meio da gravadora alemã Gun Records em 1997. O CD recebeu excelentes notas na imprensa especializada e levou o Krisiun aos palcos europeus pela primeira vez num nível totalmente underground. Durante o mês de maio de 1997 a banda fez 20 apresentações na Alemanha. Com isso, o Krisiun rapidamente ganhou mais e mais fãs e muitas portas se abriram colocando o trio de uma maneira mais visível. Em dezembro do mesmo ano aconteceu o retorno à Europa, onde mais 30 shows ao lado de Kreator e Dimmu Borgir foram realizados. Com a chegada de 1998, o Krisiun aproveitou para gravar seu segundo disco, "Apocalyptic Revelation", na Alemanha, dentro do estúdio de Harrys Johns (que produziu Kreator, Sodom, Tankard).

Na tour, os brasileiros tocaram com Cradle of Filth, Napalm Death e Borknagar por toda a Europa. Em seguida vieram outros 30 shows como headliners pela Alemanha tendo o Soilwork como suporte. Outros fatos que ajudaram na divulgação do Krisiun foram suas participações nos tributos ao Sodom e ao Kreator. Apesar de não se interessarem muito por este tipo de modismo que tomou conta da música pesada nos últimos anos, os três gostaram da idéia de homenagear duas das suas influências. "Total Death", clássico do disco "Endless Pain" do Kreator ganhou uma versão ultra-rápida e "Nuclear Winter" foi indicada ao Krisiun pelo próprio líder do Sodom, Tom Angelripper. Além disso, o Krisiun atravessou os Estados Unidos com sucesso acompanhando o Angelcorpse e o Incantation em fevereiro de 1999 para as 30 primeiras apresentações na América do Norte. Na mesma tour surgiu uma grande oportunidade para os brasileiros.

Conquerors of Armageddon
Um dos produtores do Milwaukee MetalFest (um dos maiores festivais underground do mundo) os viu em ação. Antigo fã do grupo, o produtor os convidou para ser uma das atrações do festival em julho daquele ano. Na mesma fase, a Century Media Records ofereceu um contrato que possibilitou o lançamento de "Conquerors Of Armageddon". Indiscutivelmente, o melhor disco até agora com uma produção poderosa e precisa, cortesia da cooperação entre Erik Rutan (guitarrista de Morbid Angel, Hate Eternal e ex-Ripping Corpse) como produtor e Andy Classen (Rotting Christ, Holy Moses) trabalhando como engenheiro de som. O material foi gravado no Stage One Studios, na Alemanha, durante o inverno de 1999. A batida imposta por Max na bateria é extremamente pesada e violenta, enquanto a guitarra de Moyses é refinada e avassaladora ao mesmo tempo. Já os vocais guturais de Alex são tão impressionantes quanto a sua marcação precisa no baixo. Ao final de 1999 os integrantes do Krisiun realizariam um sonho ao tocarem com o Morbid Angel, uma das suas maiores influências. Para Alex, Max e Moyses, dividir o palco e fazer amizade com os ídolos compensou boa parte das dificuldades enfrentadas durante todo este tempo de dedicação ao metal.

Turnê mundial
O ano de 2000 foi o mais agitado na história do Krisiun. Com a agenda lotada, a banda fez mais de 120 shows no eixo Estados Unidos-Europa-Estados Unidos-Brasil-Estados Unidos, tornando esta a mais extensa tour de um grupo do Brasil no exterior em todos os tempos. Em abril foram 30 apresentações ao lado de Satirycon, Immortal e Angel Corpse na América do Norte. Direto para o Velho Mundo, eles tocaram com Old Man's Child, Gorgoroth e Soul Reaper em 25 shows em maio. No mês seguinte, o Krisiun voltou aos Estados Unidos para outras 30 datas, agora com Kataklysm e Dismember. Outro momento de glória pessoal para os brasileiros foi ter Kerry King em um dos seus shows. Melhor: o guitarrista do Slayer veio cumprimentá-los no backstage. Esta não era a primeira vez que eles encontraram com o ídolo, pois o Krisiun tocou anteriormente com o Slayer na Alemanha, durante o festival With Full Force, que também teve o Iron Maiden como atração, diante de sete mil pessoas. Finalmente de volta ao Brasil, o Krisiun pôde realizar uma grande tour nacional, tocando nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do país. A partir de novembro, a banda entrou em fase de composição para o disco Ageless Venomous. O trabalho foi gravado no primeiro trimestre do ano 2001 e lançado em agosto. Paralelamente à nova excursão mundial, os novos planos do Krisiun incliram a produção do seu primeiro vídeo clipe.

Works of Carnage - AssassiNation
Passando pelas Américas do Norte e do Sul, Europa e Japão, o Krisiun conquistou uma legião de fiéis seguidores ao redor do mundo, graças a sua sonoridade, marca registrada da banda, apesar das tendências musicais atuais.
Após terminar a turnê promocional de seu último LP "Works Of Carnage" (2003), o Krisiun decidiu usar canções compostas recentemente assim como os clássicos do EP debut "Unmerciful Order", resultando no surpreendente "Bloodshed". Lançado em 2004 pela Century Media, este álbum demonstra claramente a impressionante evolução pela qual a banda passou. Desde sua forma inicial áspera até a "máquina mortal" que são hoje.
Logo após seus "ataques globais" promovendo este lançamento especial, a banda se ocupou em fazer seu material videográfico para o primeiro DVD, cujo lançamento aconteceu no início de 2006 pela Metal Mind na Europa e Century Media na América do Norte. O DVD inclui gravações ao vivo de shows realizados no Metal Mania Festival (Polônia), em São Paulo (Brasil), e no Wacken Open Air Festival (Alemanha). O DVD ainda tem videoclipes e cenas dos bastidores da gravação do álbum. Aproveintando sua passagem pela Europa, por causa dos festivais de verão de 2005, o Krisiun decidiu entrar no Stage One Studios (Alemanha) com o produtor Andy Classen (com quem trabalharam em "Conquerors Of Armageddon" em 1999) para gravar em seu novo álbum intitulado "Assassination". As 12 músicas desse trabalho têm uma produção cristalina e brutal e ainda contém os melhores elementos que levaram a banda à fama: um ataque rápido e direto, groove de médio tempo, uma condução sólida e num nível perfeito durante todas as faixas.
Destaca-se "Bloodcraft," que abre o álbum assim como a eficiente "Natural Genocide," a implacável "Vicious Wrath" e a mortal "United In Deception" que são temperadas por obras instrumentais atmósféricas ("Doomed", "Summon") e coroadas com a versão "Sweet Revenge" de Motörhead, demonstrando a admiração de Krisiun para com o Metal Old School (que influenciou a banda a iniciar sua carreira musical).

Southern Storm
Krisiun lançou seu mais recente álbum de estúdio Southern Storm, pela Century Media Records, em 21 de julho de 2008.[2] O álbum foi gravado no Stage One Studios em Borgentreich, Alemanha com o produtor Andy Classen, que anteriormente trabalhou com o grupo em Conquerors of Armageddon (1999) e AssassiNation (2006).

Links:
 
1992 - Course of the Evil One (álbum split) 1995 - Black Force Domain

1998 - Apocalyptic Revelation
2000 - Conquerors Of Armageddon
2001 - Ageless Venomous
2003 - Works Of Carnage
2004 - Bloodsheld
2006 - Assassination
2006  - Live Armageddon
2008 - Southern Storm

Chakal

Chakal é uma banda brasileira de metal formada no início de 1985 em Belo Horizonte, Minas Gerais por Guilherme Wiz, Destroyer e Mark. As influências da banda vão do Thrash Metal ao Death Metal, e hoje a banda é referência nos gêneros.

Contando com o vocal agressivo de Sgôto, o Chakal se apresentou ao vivo pela primeira vez no Metal BH II, festival que reuniu as bandas Sarcófago, Sagrado Inferno, Armagedom, Sepultura e Minotauro (SP).

Após a participação na coletânea Warfare Noise em 1986, a banda lançou em 1987 o LP Abominable Anno Domini e iniciou uma carreira de sucesso em todo o Brasil, com shows lotados em BH, São Paulo e Recife. Os vocais animalescos de Korg e as guitarras ousadas fizeram a banda se distanciar da repetição do estilo começando, já no primeiro disco, conquistar fama pela sua originalidade e competência.
O EP Living with the Pigs de 1988, trouxe a melhor capa de todo o metal nacional: lobos esfomeados assam três porquinhos, em um desenho que lembra as figuras de quadrinhos infantis. As duas músicas dão mostras do que estava por vir: thrash metal ousado, criativo, original e com solos virtuoses.

Em 1990 o disco The Man Is His Own Jackal chega às lojas com músicas complexas, letras marcantes e riffs fortes. Enquanto no Brasil todos elogiavam os complexos trabalhos de guitarras, os riffs criativos e os solos inteligentes, no exterior, a crítica festejava as letras inteligentes e originais. A Revista inglesa Kerrang! fez elogios rasgados ao trabalho. A crítica termina pedindo que o dia do Chakal chegue rápido para o bem de todos! Esse álbum também teve boa execução em rádios da Europa (Inglaterra principalmente).[carece de fontes?]

Em 1991 a banda lança o trabalho Death is a Lonely Business, talvez o trabalho mais bem acabado da banda (uma gravação primorosa). Há toques de Death Metal, mas também um pouco de influências exóticas como funk. A banda continua com uma grande variação temática e musical, sempre com destaque para as guitarras virtuoses. As letras, irônicas e ásperas, continuam sendo comentadas pelas revistas especializadas.[carece de fontes?]

Após anos adormecida, a banda Chakal resolveu retomar suas atividades, com mudanças em sua formação, com o retorno do vocalista Korg. Durante dois anos a banda preparou repertório para um novo álbum, o conceito, um roteiro escrito por Korg inspirado na Trilogia dos Mortos do diretor e roteirista George Romero. O assunto é uma linkagem com o primeiro disco da banda "Abominable Anno Domini", especificamente com a música DEAD WALK. Depois de um período longo de ensaios e pré-produção, o polêmico álbum Deadland finalmente é concluido. Este trabalho mostra a banda de forma diferente em relação aos anteriores, o disco possui uma atmosfera densa, sombria e um tema paradoxal: estar vivo em um mundo dominado por mortos-vivos. A estética dos quadrinhos e RPG com direito a gritos, tiros é recorrente durante todo o disco, a busca por um "lugar seguro" e o cuidado da música de estar sempre de acordo com o roteiro. DEADLAND ainda traz uma faixa multimídia contendo as letras, fotos e mais informações sobre todo o trabalho.

Em 2004 a banda começou a gravar Demon King que foi lançado em dezembro de 2004 e contou com praticamente toda a formação original após a volta do guitarrista Mark. Outra grande novidade no CD é o primeiro cover gravado pelo Chakal da música "Evil Dead" da banda Death.

Atualmente a banda divulga o álbum Demon King, tocando em diversos festivais pelo Brasil, enquanto compõe músicas para os próximos trabalhos.
No segundo semestre de 2008 a banda relançou o The Man Is His Own Jackal e Death is a Lonely Business (os dois em um) na série Cogumelo Remasters num formato de luxo.


Links:
 
1987 - Abominable Anno Domini
1988 - Living with the Pigs
1990 - The Man Is His Own Jackal
1991 - Death is a Lonely Business
2002 - Deadland
2004 - Demon King

Sarcofago

Sarcófago foi uma das primeiras bandas de metal extremo a surgir no Brasil, no estado de Minas Gerais criada em 1985.
Primeiramente, não rotulavam-se a nenhum estilo de música em si, mas caracterizavam-se com fortes tendências anticlericais em suas letras e uma atmosfera musical pesada. Suas primeiras aparições datam da primeira metade da década de 80, junto com outras bandas mineiras de metal, como Chakal, Holocausto, Sextrash, já apresentavam-se nas cidades da região.
A formação mais famosa e clássica contava com Antichrist nos vocais, Butcher na guitarra, Incubus no baixo e D.D. Crazy na bateria. O baterista Leprous fez parte da gravação da coletânea Warfare Noise lançado pela Cogumelo Records em 1986. A gravação do Sarcófago traz em sua primeira demo-tape elementos que vinculariam a banda futuramente ao patamar de clássicos no estilo. Sua sonoridade era inovadora para a época com guitarras pesadas, sujas e rápidas assim como um estilo de tocar a bateria, conhecido como blast beat, pouco usado na época. Bandas como o Nuclear Death, Napalm Death e Fear of God já usavam a técnica de forma agressiva. O visual também fazia parte do contexto, brutal e chocante, como demonstram as fotos de seu primeiro álbum em estúdio, feitas em um cemitério, usando enormes braceletes de pregos, cintos de bala de fuzil e a pintura facial conhecida algum tempo depois como corpse paint. Mais tarde, após a divulgação underground de seu primeiro álbum Inri de 1987 e a consolidação no exterior, o Sarcófago ficou sendo reconhecido como uma banda de black metal e death metal.

O vocalista e guitarrista "Antichrist", o pseudônimo de Wagner Lamounier, fez parte da primeira formação da banda Sepultura e escreveu em parceria com Max Cavalera a música Antichrist que foi inserido no EP Bestial Devastation. Hoje em dia, Wagner Lamounier é professor de ciências econômicas na UFMG. Outro integrante importante desde a sua primeira formação, é Geraldo Minelli, baixista e compositor da banda. Geraldo atualmente trabalha com o ramo de fiscalização sanitária, e é batizado na igreja Adventista do Sétimo Dia. Em todo o cenário do metal extremo mundial, o Sarcófago ocupa uma posição privilegiada, graças à sua trajetória de álbuns "fiéis" ao estilo que se propunha.

Links: