Prog

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Terreno Baldio

Em 1973, João Kurk (vocais e flauta), Roberto Lazzarini (teclado) e Joaquim Correia (bateria) - ex companheiros de Islanders (cover de bandas de sucesso - 1966/1971), convidam Mozart Mello (guitarra) e João Ascenção (baixo) para formarem o Terreno Baldio, grupo de progressivo com forte inspiração na banda inglesa Gentle Giant.
Sua primeira apresentação notável ocorreu na noite de 28 de agosto de 1974, numa estrutura geodésica montada no Parque do Ibirapuera, especialmente para o evento “Festival do Cometa”, que reuniu várias bandas de rock, entre elas a Jazzco.
Em 1975, gravam o primeiro LP - Terreno Baldio, lançado pelo selo Pirata no ano seguinte, com prensagem de apenas 3.000 cópias.
Nesse mesmo ano, participam do festival Banana Progressiva, ocorrido no Teatro da GV, em São Paulo. O evento procurou apresentaro o que havia de progressivo na música brasileira como os grupos Vímana, Os Bolhas, O Terço, O Som Nosso de Cada Dia e Apocalypsis entremeados de outros grupos instrumentais e de vanguarda; tais como Hermeto Paschoal e grupo, Jazzco, A Barca do Sol - incluisive conta com a presença de Erasmo Carlos & Cia Paulista de Rock.
Por essa época, a fitas-master de registro do primeiro álbum extraviam-se, inviabilizando novas tiragens.
O ecletismo sonoro da banda funde elementos eruditos aos jazzísticos e a ritmos e harmonias extraído da música popular e regional brasileira; tais como xacado, baião, incluindo instrumentos de percussão típicos do nosso folclore. Os elementos poético remetem-se a temas daquele período e citam a liberdade, em oposição ao regime militar, a solidão e a poluição em alusão à vida em grandes cidades, como São Paulo.
No próximo registro, Além das Lendas Brasileiras - 1978, o tema conceitual do álbum foi encomendado pela gravadora (Continental/Warner) ao fechar contrato com o grupo. Naquele momento, Ascenção já havia sido substituído po Rodolfo Braga (ex-Joelho de Porco) no contrabaixo (início de 76). O novo repertório incluiu, além de temas do folclore nacional, a canção Passaredo, de Francis Hime e Chico Buarque, num arranjo original - tema vinculado à preservação da natureza.
Ao final de 1979, o grupo dissolve-se em função do declínio do progressivo junto às mídias e em função de um novo panorâma que se delineava junto ao universo pop.
Em 1993, o grupo reuniria-se parcialmente (Kurk, Lazzarini, Mello) - incluindo Renato Muniz no baixo e Ricardo Brasa na bateria - para um novo registro do álbum de 76, versão em inglês junto ao selo Progressive Rock Worldwide, visando o mercado europeu. O CD inclui faixas extras e constutiu-se, portanto, no terceiro trabalho a ser gravado.
Logo em seguida, a gravadora Rock Synphony, sediada em Niteroi, após longa pesquisa e sofisticada produção, relança o primeiro trabalho em versão CD, remasterizado na Itália pelo seu produtor original - Cesare Benvenuti.
No corrente ano (2008) , o grupo reuniu-se novamente para participar da VIrada Cultural, em São Paulo. Apresentou-se na Praça da República com a seguinte formação: Mozart Mello (guitarra), Lazzarini (teclados), Kurk (vocal), Cassio Poleto (violino) Renato Muniz (baixo) e Edson Guilard (bateria) - basicacemente, executou o repertório do primeiro LP - destacando-se “Este é o Lugar” e “Grite”.
Com novas apresentações marcadas, ao que tudo indica, essa nova formação seguirá carreira lastreada nos trabalhos da década de 70, de forma esporádica e sazonal.

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Secos & Molhados

Se a bossa nova foi uma revolução na música brasileira – porque sofisticou o samba e o uniu ao jazz e virou produto de exportação – e movimentos como a Tropicália e os grandes festivais de música dos anos 60 podem ser considerados mini-revoluções – porque renovaram a MPB – que nome dar ao que aconteceu com o grupo Secos & Molhados? Fenômeno talvez seja a palavra mais próxima. Desses que insuflam em meio a um sistema estabelecido, fazem um grande barulho, modificam costumes, provocam polêmicas e estardalhaços e desaparecem. Feito um cometa. (João Nunes/Correio Popular)
O conjunto, vocal e instrumental, se formou em 1971 por Ney Matogrosso (Vocais); Gerson Conrad (Violão e Vocais), João Ricardo (Violão, Gaita e Vocais) e Marcelo Frias (Bateria e Percurssão). Ney já havia se apresentado como amador em Brasília DF, onde morava, e tentara o rádio e a televisão, além de cantar em boates, até ser apresentado pela compositora e cantora e compositora Luli a João Ricardo.



O grupo surgiu no inicio de 1973 em São Paulo SP, e em agosto do mesmo ano gravou o LP Secos e Molhados, pela Continental, com Sangue latino (João Ricardo e Paulo Mendonça), O vira (João Ricardo e Luli) e Rosa de Hiroshima (Gerson Conrad e Vinícius de Moraes). O disco foi sucesso nacional, causo polêmica pela atitude ousada e performática possibilitando ao conjunto apresentar-se numa serie de espetáculos, entre os quais se destacam os shows no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro RJ, e no Ginásio Presidente Médici, em Brasília. No ano seguinte, o grupo exibiu-se na televisão mexicana, gravou seu segundo LP, Secos e Molhados, com Flores astrais (João Ricardo e João Apolinário), e Tercer Mundo (João Ricardo e Júlio Cortazar). Ainda em 1974 o conjunto se desfez, passando seus integrantes a atuar individualmente.


João Ricardo lançou um disco em 1975, João Ricardo, pela Philips, com suas composições Vira safado, Janelas verdes e Salve-se quem puder; apresentou-se no Teatro Bandeirantes, de São Paulo; e tentou depois ressuscitar o Secos e Molhados pelo menos quatro vezes, com diferentes formações, nenhuma incluindo qualquer outro membro original do grupo. Gerson Conrad ligou-se ao letrista Paulo Mendonça, a atriz e cantora Zezé Mota e a uma banda de oito elementos e gravou pela Som Livre Gerson Conrad e Zezé Mota, com Trem noturno e A dança do besouro (ambas com Paulo Mendonça). Gravou outros discos solo e continua compondo e fazendo shows. 

Links:

Discografia Recomendada: Brasil - Anos 70

1. O Terço - Criaturas da Noite (1975)

Maior clássico da discografia progressiva nacional, ''Criaturas da Noite'' faz parte do rol de obras lendárias. Equivale para o rock progressivo do Brasil à mais nobre mazurca européia. As notas iniciais do baixo introdutório de ''Hey Amigo'' despertam a todos que tiveram sua história musical perpassada pela musicalidade do O Terço. O jovem tecladista de então, Flávio Venturini, esbanja talento criando o maior símbolo do progressivo brasileiro nos anos 70, a extasiante suíte ''1974''. Destaques também para o folk rock de ''Queimada'', a introspectiva ''Ponto Final'' e a suavidade da música título ''Criaturas da Noite. ''Nesse rock estamos perto de ser a unidade final''!

2. Terreno Baldio - Terreno Baldio (1975)

"Terreno Baldio" está entre os trabalhos mais intensos e genuínos do progressivo brasileiro dos anos 70. O trio principal composto por Mozart Mello (guitarras), Roberto Lazzarini (teclados) e Fusa (vocais) comanda com habilidade, precisão e muita fantasia grandes momentos contidos nessa obra. Importante ressaltar a nítida influência do Gentle Giant, além do contexto histórico em que fora produzido, já que em plena ditadura militar criar músicas como "Este É O Lugar" e principalmente "Grite" demonstra ousadia e ideologia à flor da pele. A posição de destaque nessa enquete é plenamente autêntica e merecida!

3. Os Mutantes - Tudo Foi Feito Pelo Sol (1974)

Ao saltar as amarras da MPB e principalmente do movimento da Tropicália, Os Mutantes com formação distinta da original enveredou pela seara do rock progressivo com grande maestria. Trata-se da banda mais antiga e mais popular de toda essa discografia recomendada Brasil anos 70 e com "Tudo Foi Feito Pelo Sol" escreveu uma das páginas mais importantes de toda a discografia progressiva brasileira, com trabalhos de guitarras - Sérgio Dias e teclados - Túlio Mourão memoráveis e inesquecíveis. Diga-se de passagem, Túlio Mourão foi responsável pela composição da destacada "Pitágoras", obra-prima do álbum. Lamentável que nos dias atuais, com o retorno do grupo em 2007, este trabalho não foi trazido à tona como de fato merecia, provando que o rigor sonoro e virtuoso do rock progressivo a cada dia que passa se torna extremamente proscrito, em detrimento de um ambiente musical de fácil assimilação.

4. Casa Das Maquinas - Lar de Maravilhas (1975)

Formado a partir de uma dissidência do grupo Os Incríveis, o Casa das Máquinas começou fazendo uma mistura de pop, rock e gospel no seu primeiro disco, e ficou famoso pela mistura entre hard e glam no seu derradeiro álbum, Casa de Rock. Mas neste aqui, o segundo de sua carreira, o que houve foi um mergulho de cabeça no progressivo sinfônico, obtendo um resultado fantástico. Lar de Maravilhas, o disco, é dominado por peças longas, com variações de andamento, lindos solos do tecladista Marinho Testoni e do guitarrista Pisca, e harmonias vocais lideradas pelo baixista Carlos Geraldo e pelo guitarrista Aroldo. A beleza da parte lenta da faixa título, as melodias emocionantes de Astralização (com lindo solo de guitarra) e Raios de Lua (belo e sensível solo de moog ao fundo), a viagem psico-prog de Cilindro Cônico, os lindíssimos e longos temas de teclados em Vale Verde, assim como a apoteótica parte instrumental de Reflexo Ativo (que fecha o álbum) fazem deste um item inesquecível não só para quem viveu o prog brasileiro nos anos 70, como também para quem aprendeu a admirá-lo depois. Ainda merece destaque a parte roqueira do disco, com o hit Vou Morar no Ar, e o apelo hard em Epidemia de Rock e Liberdade Espacial.

5. Som Nosso de Cada Dia - Snegs (1975)

Obra mítica e extremamente consistente, já que todas as músicas são de alto nível, "Snegs" é considerado por muitos como o primeiro disco genuinamente progressivo do Brasil, ou seja, trabalho sem afetações e voltado de fato para o que se estava produzindo em termos de rock progressivo na Inglaterra nos anos 70. A formação disposta em power trio (baixo, bateria e teclados) e a sonoridade neste álbum remetem de imediato ao genial ELP, porém há generosas reminiscências floydianas com seus toques psicodélicos e inventivos, principalmente a cargo do tecladista Manito, que logo depois da gravação desse disco deixaria o grupo, fazendo apenas incursões especiais e aleatórias. Podemos afirmar que a primazia observada nessa obra jamais fora reencontrada pelo grupo nos trabalhos posteriores. Por isso mesmo, os paulistas do Som Nosso de Cada Dia, deixaram um legado único e super genial através do "Snegs".

6. Som Imaginario - A Matança do Porco (1973)

Wagner Tiso merecia uma estátua em praça pública pelos bons serviços prestados à música, típico instrumentista e arranjador de linhagem nobre, que quando acompanhado por não menos excelentes músicos, é capaz de produzir obras magistrais. Assim é "Matança do Porco", um dos trabalhos mais consagrados da discografia nacional setentista, possui de tudo um pouco: virtuosismo instrumental, arranjos elaborados e muita inventividade. Para quem aprecia um instrumental nervoso, vigoroso e também sinfônico, trata-se da pedida certa. Vários músicos que fizeram parte da banda conseguiram destaque na musicografia nacional como: Zé Rodrix, Tavito e Robertinho Silva. Muito do que ouvimos no clássico "Milagre dos Peixes" do mestre Milton Nascimento se deve a essa turma que vale muitos guinéus, além de influenciar muitos artistas, dentre eles o fantástico e saudoso Marco Antônio Araújo.

7. Moto Perpetuo - Moto Perpétuo (1974)

Grupo fundado por Guilherme Arantes, o qual foi responsável por sua futura carreira solo, cito aqui o quase desconhecido Moto Perpétuo,foi um dos ícones setentistas de destaque do rock progressivo nacional. Aliás um dos melhores entre as poucas produções desta época.Apesar de pouco conhecido do público geral, a banda deixou registrado um belíssimo album que lembra de primeira mão, o YES. Toda a linha harmonica de composição se baseia muito na banda inglesa, que também foi um referencial (se bem que na minha opinião , em pouca coisa) dos Mutantes em seu disco Tudo foi feito pelo Sol. Capa muito bela,Arantes faz os vocais e a tecladeira analógica com orgão, moog, piano, etc...acompanhado de cellos, baixo, guitarra e batera. O disco é de 1974 (LP) gravado em São Paulo e possui 11 belas faixas.Confiram.

8. Recordando o Vale das Maçãs - As Crianças da Nova Floresta (1977)

O ideal da vida no campo, a aproximação plena com a natureza e uma musicalidade sublime! Assim temos um diminuto perfil para o grupo Recordando o Vale das Maçãs. O folk que permeia todo o disco "As Crianças da Nova Floresta" não possui paralelos na discografia nacional, sendo pautado pela inclusão de generosas doses de sintetizadores, destaques também paras as flautas e violinos, numa das maiores formações do progressivo brasileiro com tamanha profusão de instrumentos. A suíte, de aproximadamente vinte minutos, que dá nome ao álbum beira a perfeição, composta integralmente pelo baterista Milton atinge as esferas mais elevadas do progressivo brasileiro - "É só você se conscientizar que a vida vem da luz da natureza". Uma pena que o mestre Nei Matogrosso ainda não tenha descoberto esse álbum para cantar suas músicas...

9. A Bolha - Um Passo A Frente (1973)

A Bolha é provavelmente o grupo mais obscuro dentre os relacionados (mas não menos talentoso), até mesmo pela curiosa trajetória que se iniciou seguindo os passos do rock básico dos Beatles, Stones e Jovem Guarda nos idos de 1965. Conseguiu certa projeção a ponto de tocar com vários artistas de renome no Brasil, até ingressar de cabeça no mundo progressivo em 1973 com o magnífico LP "Um Passo A Frente", participando inclusive do onírico festival Banana Progressiva. Atenção máxima para "Esfera", música impecável com várias mudanças de andamento, iniciando de forma acústica com flauta e violão, mas se desenvolvendo com uma força que remete ao que há de melhor no prog sinfônico mundial, após uma virada com o solo de sax mais louco do progressivo brasileiro nos anos setenta. O curioso é que após essa guinada para o mundo progressivo o grupo tenha caído num certo ostracismo, tentando retornar ao sucesso em 1977 com um trabalho bem menos intricado intitulado "É Proibido Proibir", se desligando quase que inteiramente do universo progressivo e retornando às origens executando um rock mais convencional.

10. O Terço - Casa Encantada (1976)

"Casa Encantada" traz a mesma formação do "Criaturas Da Noite", além disso traz o mesmo feeling, a mesma criatividade e acima de tudo grande brilhantismo, logo se trata de outro desfile de clássicos marcantes para os admiradores do grupo. Venturini toca como nunca em autênticas pérolas como "Cabala" e "Solaris", onde é fácil afirmar que o conjunto dessa obra o torna item obrigatório na discografia progressiva do país.


Fonte: http://progbrasil.com.br

domingo, 10 de outubro de 2010

Sá, Rodrix & Guarabyra

No ano de 1971 surgiu no Brasil um trio que, à sua maneira, marcou as vidas de todos com que eles cruzaram, ouviram suas canções e viveram os seus momentos: chamava-se SÁ, RODRIX & GUARABYRA, um (como se chamava na época) super group, formado por três artistas (Luiz Carlos SÁ, Zé RODRIX & Guttemberg GUARABYRA), que vinham desenvolvendo suas carreiras solo, mas que, movido pela amizade que os unia, pela identidade de seus estilos de composição e por seu modo de vida, decidiram em um disco que, na época, foi uma surpresa inesperada, graças à verve, ao brilho e ao inesperado e extremamente artístico resultado dessa união.

Foram, afinal, não um, mas dois discos (PASSADO, PRESENTE, FUTURO e TERRA) lançados pela EMI-Odeon, além de algumas participações especiais em algumas coletâneas, entre as quais a do Festival de Juiz de Fora de 1972. Aliás, de festivais eles sempre tiveram muito à contar: Luiz Carlos Sá era o mais ativo participante dos mesmos, tendo sempre uma ou duas canções classificadas; foi em um FIC que GUARABYRA levou o prêmio máximo com MARGARIDA e, alguns anos depois, foi o mesmo Festival de Juiz de Fora que Zé RODRIX (em parceria com Tavito) emplacou sob vaias a canção CASA NO CAMPO, mais tarde gravada por Elis Regina, e da qual uma parte da crítica musical carioca pinçou a expressão ‘Rock Rural’ para classificar a música que SÁ, RODRIX, GUARABYRA faziam.

Foi uma carreira intensa. De seu primeiro show no Teatro Opinião, com casas cheias todas as noites, os três partiram para o circuito da época: televisões, universidades, clubes, viajando pelo Brasil inteiro da maneira, como se fazia na época em que nada era mega, a não ser os problemas. Mas as músicas eram excepcionalmente boas: AMA TEU VIZINHO, PRIMEIRA CANÇÃO DA ESTRADA, CUMPADRE MEU, HOJE AINDA É DIA DE ROCK. No fim de seu primeiro ano juntos, mudaram-se para São Paulo, atendendo a um convite do amigo Rogério Duprat, que precisava dos três em sua produtora de comerciais. E no segundo LP apareceram ANOS SESSENTA, MESTRE JONAS, PINDURADO NO VAPOR e BLUE RIVIERA. Em São Paulo, por divergências ideológicas (Zé RODRIX começou a detestar estradas, viagens, hotéis, chuveiros de hotéis, camas de hotéis, etc.) e, depois de quase dois anos completos de vida em comum, os três se separaram, indo cada um perseguir a sua carreira solo. Enquanto Zé RODRIX enfrentava as vicissitudes do sucesso popular (nos mesmos hotéis que detestava) com diversos primeiros lugares nas paradas de sucesso, produzido pelas mãos dos bandidos que na época eram amadores e hoje são profissionais, SÁ e GUARABYRA andavam cada um tentando levar sua carreira solo da maneira que podiam e, num belo dia, em um show, decidiram voltar a cantar juntos.

Foi uma decisão acertadíssima: nos anos que se seguiram, os dois se tornaram o parâmetro de uma música com raízes no interior e na cidade, desenvolvimento daquele mesmo rock rural que haviam criado enquanto trio. Mas com muito mais proficiência: esses anos marcaram o Brasil com uma verdadeira enxurrada de sucessos, de que são exemplo SOBRADINHO, ESPANHOLA e as músicas feitas para a novela ROQUE SANTEIRO (ABC DE ROQUE SANTEIRO, DONA E VERDADES E MENTIRAS). Isso além de músicas que compuseram para outros intérpretes, como CAÇADOR DE MIM e outras.

Enquanto SÁ e GUARABYRA viajavam pelos caminhos do sertão, Zé RODRIX dava a sua contribuição à publicidade brasileira de maneira constante, percorrendo uma estrada que os três haviam iniciado juntos e que tanto SÁ quanto GUARABYRA também percorreram de maneira mais alternativa. No dia em que SÁ e GUARABYRA completaram dez anos, Zé RODRIX apareceu no show, em um circo perto do Anhembi. Quando se completaram vinte e cinco anos de rock rural, SÁ e GUARABYRA convidaram Zé RODRIX para fazer um arranjo no disco. Ele fez e acabaram cantando juntos umas três músicas nesse mesmo disco. Mas foi só agora, quando seu encontro inicial completa trinta anos, que decidiram colocar o pé na estrada. Mais experiente, mais vivido e rigorosamente disposto a retomar com o mesmo ímpeto de antes a vida do trio, escolheram o Rock in Rio para estréia nacional de sua tour SÁ, RODRIX, GUARABYRA – REENCONTRO: 30 ANOS DE ROCK RURAL, na qual acompanhados por uma banda, não só revivem os grandes sucessos juntos e separados, como também mostram em primeira mão para o público a nova safra de canções que tem produzido e que estão no CD que lançam simultaneamente com a tour.

A primeira dessas canções não por acaso, chama-se OUTRA VEZ NA ESTRADA e lista, com muita propriedade a poesia, as razões e motivos que reúnem depois de 30 anos esses amigos de longa data. E surgiram na seqüência AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA, um levantamento bem humorado das vicissitudes do homem contemporâneo;
JESUS NUMA MOTO, um tenso e emocional rock-balada , que fala dos desejos ocultos em todos nós; e NO TEMPO DE NOSSOS SONHOS (NOVA ERA), um animado rock sobre os amores do passado que insistem em bater à nossa porta.

É como se o tempo tivesse parado e o passado ao mesmo tempo: e os filhos de seus seguidores vão, enfim, poder saber ao vivo o que é aquilo que seus pais de vez em quando colocam para tocar na sua velha vitrola de vinil. 


 Links: 


1972 - Passado, Presente, Futuro
1973 - Terra
2002 - Outra Vez Na Estrada

Moto Perpétuo

O Rock Progressivo Brasileiro apesar das inúmeras dificuldades, deixou marcas que hoje são resgatadas graças as novas gerações ávidas por conhecer um período onde se fazia musica apenas pelo prazer, amor e pela arte em si, ao invés do atual conceito de marketing financeiro que hoje paira na industria musical. É curioso para os novos ouvidos saber que muitos dos “medalhões” da MPB atual como Ney Matogrosso (Secos e Molhados), Rita Lee (Mutantes), Lulu Santos e Lobão (Vimana), Jaques Morelenbaum (Barca do Sol) , Flavio Venturini e Vinicius Cantuaria (Terço) curiosamente nos anos 70 em suas respectivas bandas, mesclavam influencias diversificadas em seus trabalhos com arranjos psicodélicos que eram claramente influenciados por discos que vinham com meses de atraso dos EUA e Europa, era o gênero chamado de rock progressivo fazendo a cabeça dos novos músicos que naqueles anos se iniciavam.

Com outra figura da musica popular brasileira, a história não seria diferente. Guilherme Arantes muito antes de fazer sucesso comercial nos anos 80, se beneficiando principalmente, com o fato de que suas musicas, era sempre incluídas em novelas da TV, por mais estranho que seja, também flertou com o gênero progressivo.

Guilherme foi um adolescente privilegiado, já que tinha um tio que trabalhava na TV Record e com isso ele pode assistir ao vivo boa parte daqueles grandes festivais da MPB em São Paulo, que levantava o publico com suas disputas musicais, como Caetano Veloso, Mutantes, Chico Buarque entre outros. Teve aulas de piano e montou conjuntos sem grande destaque no final dos anos 60 e inicio dos 70 que tocavam basicamente musicas da Jovem-guarda e dos Beatles. O primeiro deles foi o que montou com colegas de escola, chamada “Polissantes”, este que tinha entre seus integrantes o ator Kadu Moliterno. Mais tarde, acabou conhecendo varias pessoas no meio musical, e dessa maneira, por ter certa habilidade com o piano, foi convidado a tocar na banda de Jorge Mautner, e fez diversas apresentações com o mesmo, mas sabia que não era por muito tempo, então, optou por fazer Faculdade de Arquitetura, depois acabou não indo bem nos estudos, e entre conversa e outra com colegas, do tipo “quem toca o que”, acabou conhecendo Claudio Lucci, um excelente violonista, e com ele logo foi procurar um velho amigo, Diógenes, que Guilherme até hoje considera o melhor baterista que viu tocar em toda sua vida, e ainda Gerson Tatini, baixo, e Egydio Conde, guitarrista, convidados a entrar logo depois. Estes dois exitaram entrar no começo, pois não estavam muito disposto a acompanhar nenhum cantor. Alguem teria comentado com eles, "Tem um cara que tem umas musicas ". Mas teriam mudado de idéia depois que ficaram sabendo que a intenção era a gravação de um disco.

E assim, no começo de 1974, em São Paulo, estava formado a banda Moto Perpétuo, nome do um clássico composto por Nicolo Paganini, e que fazia jus a ponte do rock progressivo (estilo que era uma novidade, e que os estudantes ouviam muito na época) com a MPB, principalmente mineira, influência do Clube da Esquina.

Na época os Secos e Molhados era a banda da vez, mesmo com a saída de Ney, a mídia e o publico os idolatravam, e Guilherme, sempre com bons contatos, procurou Moracy do Val, que administrava os Secos na época para fazer a direção de produção da banda. Eles ficavam horas a fio numa casa no bairro do Brás, fazendo verdadeiras maratonas diárias de ensaios. Eram brigas constantes de idéias e discurssões para prevalecer um arranjo definido para cada canção.

Os integrantes da banda nesse meio tempo brigavam com Guilherme inconformados dele marcar, precipitadamente, horas num estúdio para fazer a gravação do disco que tinha condições simples. O que na verdade eles não queriam era gravar o disco num estúdio com poucos canais , já que eles sabiam que bandas como o Yes gravavam em condições muito superiores. Principalmente Gerson que chegou a perguntar para Guilherme, se ele não ouvia discos pro acaso. Mas mesmo com desentendimentos com Gerson e Egídio, que eram os mais radicais fãs de progressivo da banda, enquanto Guilherme tinha aptidões mas para a MPB do Clube da Esquina e Elton John, a banda registrou seu único disco, entre setembro e outubro de 1974, com o produtor renomado, Peninha Smith, fazendo milagres no estúdio Sonima, em apenas 8 canais. O disco em stereo lançado com uma boa arte de capa, saiu pelo selo Continental, e destaca arranjos muito arrojados em comparação ao que existia no Brasil na época.


Link:

1974 - Moto Perpétuo

domingo, 3 de outubro de 2010

Recordando o Vale das Maçãs

Recordando o Vale das MaçãsEsta é mais uma magnífica banda de progressivo nacional surgida na década se setenta. No início eu tinha um baita preconceito com a banda, achei meio caipira (devido a letras como "cantando pro nenê nanar). Um tempo depois resolvi ouvir novamente e parece que ficha caiu: hoje conseidero uma das melhores bandas prog brasileiras. 

"Em 1973, três jovens rapazes (Fernando Pacheco, Fernando Motta e Domingos Mariotti) decidiram deixar Santos - cidade do estado de São Paulo -, pegar e estrada e morar num rancho em Ouro Fino, Minas Gerais, visando um contato mais íntimo com as energias da natureza. Tal contato despertou a sensibilidade deles que estava suprimida pelo ambiente da cidade, e, lentamente, começaram a ver o mundo de um ponto de vista diferente.
Como músicos, eles aproveitaram de suas experiências e canalizaram aquelas energias para composições musicais. Eles ficaram no rancho por mais de um ano.

Quando voltaram a Santos, ficaram chocados pelo forte contraste de ambientes entre o lugar em que eles viveram e onde estavam agora. Mais do que nunca, o sentimento de harmonia tornou-se mais forte e eles decidiram repassá-lo para as pessoas através da música, passar o equilíbrio que a natureza fornecera a eles.
Ao passar do tempo, outros músicos começaram a ser atraídos pela música da natureza e se identificaram com tal trabalho musical. Os primeiros convites para shows começaram a aparecer, assim como a necessidade de um nome para identificar a banda tornou-se necessário. A idéia veio do título de uma das canções do grupo, que se chamaria então Recordando o Vale das Maçãs em julho de 74, faria o primeiro show em Ouro Fino em 3 de Agosto de 74 no Clube Montanha.

A formação inicial tinha Pacheco (guitarra acústica e elétrica), Motta (violão e percussão), Luiz (violino), Lee (teclados e voz), Moa (flauta e vocal) e Paulinho (vocal).

Em uma das apresentações, o grupo conheceu outro compositor que também se dedicava a transmitir suas experiências com a natureza através da música: Milton Bernardes. Como o grupo ainda não tinha achado bateirista com tempo e variações de ritmo que serviam à música, Milton propôs que ele ficasse com o posto. Foi uma união perfeita, de idéias e sentimentos, o grupo então se fortificou.

Ainda havia um elemento faltando, que poderia fazer a fusão entre as parte harmônicas e rítmicas. Então Gui, um baixista, imediatamente se identificou com a proposta do grupo. Era a gota que faltava nesta alquimica musical e então o Recordando o Vale das Maçãs (RVM) decolou.

Entre os anos de 74 e 82, o RVM encontrou um modo de ampliar todas as estruturas musicais predominantes naquele tempo, com um trabalho rico e elaborado, que sobreviveu graças a dedicação dos músicos. As produções dos shows eram feitas pelo próprio conjunto, já que seu som era considerado o principal para aquele tempo e não contava com o apoio da mídia. Apesar de todos os obstáculos, o grupo obteve sucesso e conquistou um número considerável de fãs que lotavam seus shows.

Em 77, após terem ganho o Festival de Música de Santos, o grupo foi contratado pelo selo GTA (Grupo Tupi Associado), pertencente a rede Tupi de televisão, para gravar seu primeiro LP. O trabalho foi divulgado pelo grupo, através do disco em vários locais, do Brasil aos EUA, Japão, Europa e América do Sul.

Com a explosão da Dance Music, houve mudança de foco pela mídia, no qual grandes grupos com ELP, Yes e Genesis perderam mercado. RVM, que tentava seguir um mesmo tipo de trabalho daqueles grupos, foi forçado a interromper as atividades por um tempo.

Entretanto, como tudo o que é feito com dedicação e amor nasce novamente e frutifica, o RVM retornou ao trabalho de publicar música de grande impacto emocional. Agora o grupo é composto por Milton (bateria), Lee (teclados e violino), Pacheco (guitarra e violão), Gui (baixo), Motta (violão e percussão) e Domingos (flauta de digital horn). 



Link:
1977 - As Criancas da Nova Floresta

Som Três

Pra quem não conhece, vale a pena pesquisar... uma das primeiras formações de César Camargo Mariano... Banda surgida aproximadamente em 1966... Serviram de base para muitos cantores bons como Wilson Simonal, Chico Buarque, MPB-4 e em 1970, após a copa do México a banda iria se desfazer porque César Camargo Mariano fora convidado a participar da banda de Elis Regina.
A formação básica da banda era:


César Camargo Mariano - Pianos
Sebastião Oliveira da Paz, o grande Sabá - Contrabaixo
Toninho Pinheiro - Voz e Bateria

Com participações especiais de Chiquito Braga na Guitarra, Luiz Cláudio Ramos, também na guitarra, Maurílio da Silva Santos no Trompete, Gelson Cortez nos vocais.
 

Link:
1968 - Som Três Show
1969 - Som Três Um é Pouco, Dois é Bom, êste Som Três é Demais
1970 - Som Três Tobogã